Para enganar a morte, goles de cerveja,
E quando a morte estiver bêbada,
A convide para dançar
Uma ou outra oração, que seja,
Mas não esqueça dos acordes do violão (ao luar?)
Contra o bafo da morte, chiclete de hortelã
E quando na dança ela te vergar a coluna
Tenta alguma macumba:
Sal grosso no meio da canela
E algumas flores na janela
A bicha já sonolenta, cheirando a menta,
Cairá em seguida em sono profundo
E tu, serelepe e matreiro, meterás os pés no aguaceiro
Correndo sem cessar até a foice fibrosa do tempo te acertar
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Poema e ilustração: Ernâni Getirana.
(O poema foi feito em homenagem ao poeta Climério Ferreira quando foi detectado com CA).
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ERNÂNI GETIRANA (@ernanigetirana) é professor, poeta e escritor. É o autor, dentre outros livros, de “Debaixo da Figueira do Meu Avô”. Escreve para o Portal P2 sempre aos sábados