Cultura Coluna do Ernâni
Para começo de conversa
ERNÂNI GETIRANA (@ernanigetirana) é professor, poeta e escritor. É autor de inúmeros livros, dentre eles “Debaixo da Figueira do Meu Avô”. É membro da APLA, ALVAL, UBE-PI e do IHGPI.
04/04/2026 09h29
Por: Gustavo Mesquita

 

Estava pescando algumas coisas na time line do meu Face book e topei com um belo texto que eu havia reproduzido uns dois anos atrás. O texto não é meu, mas da professora Ivanilda Amaral. Reli-o e o achei ainda mais belo, bem estruturado e bem escrito. De quebra ainda me deparei com um poema dela.

Reproduzo ambos aqui nesse Sábado de Aleluia. Boa leitura, senhores leitores, senhoras leitoras. Que sorte a nossa.

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AMORES E LENDAS

(Ivanilda Amaral)

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Quando uma Mulher se apaixona por um pássaro apavonado, daqueles, bem narcisos, moradores dos espelhos de olhos d’água, mergulha Sereia e profundamente nas águas turvas e geladas do amor lenda.

Quando a alma cintilante de uma mulher Sereia, vagueia pelas madrugadas frias das ruas vazias, fantasiada de branco, é porque o preto, certamente a confundiria.

Quando um Cavaleiro Solitário busca, feito flecha, uma Mulher de Branco no fundo escuro das longas e estonteantes noites cruas, há que encontrá-la, se ela assim o quiser.

Não há pássaro noturno, rasgando mortalha na copa de um tamboril, que pressagie a hora da passada do Montador de Cachorro pro inferno.

É tudo miolo de pote! ‘O tempo é senhor de tudo’. O inferno já está posto sobre a fria Cama de Baleia serpenteada, feito Sucuruju da Barragem enrolando os sentidos, emoções e mentes com os acicates do prazer e da dor.

Não são as rédeas da polidez que cospe no pote das bilheiras dispostas. É o prazer das ruas nuas, infindáveis comedoras de miolos das crianças, invadindo e perfurando a carne e os sentidos com os ventos internos da paixão.

Coisas temporárias, amores sem medidas

Corpos perecíveis, imprescindíveis, ardentes por asas magnificantes que os abrase. É tudo emblema! Bem casado é nome de doce. Não se mata almas!

Indiferente à fragilidade humana, há ‘luz que as trevas não vencem’. Coisas atemporais. Antropofágico e fundamental é o (des)amor.

Lenda mesmo é querer ficar quando a rua incendeia corpos no frenesi do tempo que urge.

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(Apud: ‘Lendas de Pedro II’, de Ernâni Getirana)

 

ERNÂNI GETIRANA (@ernanigetirana) é professor, poeta e escritor. É o autor, dentre outros livros, de “Lendas de Pedro II”. Em breve publicará seu mais recente livro (2026): “Morro do Gritador, filho da Ibiapaba: brisa, cruviana e terremotos”.  Escreve para o Portal P2 sempre aos sábados.