
A autorização da família de uma jovem de 19 anos, natural de Pedro II, possibilitou que até cinco pacientes que aguardavam na fila nacional de transplantes tivessem uma nova chance de vida. A doação de órgãos ocorreu após a confirmação da morte encefálica da paciente, seguindo rigorosamente todos os protocolos médicos e legais exigidos.
A captação foi realizada nesta segunda-feira (15), no Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (Heda), em Parnaíba. Durante o procedimento, foram doados rins, fígado e córneas. O fígado foi encaminhado para Fortaleza, no Ceará, enquanto os rins e as córneas seguiram para a Central de Transplantes de Teresina.
Esta foi a terceira captação de múltiplos órgãos realizada pelo Heda em 2025. Segundo a equipe médica, todo o processo exige rapidez e precisão, desde a confirmação do diagnóstico até a retirada dos órgãos, para garantir a viabilidade dos transplantes.
A cirurgia de captação teve duração aproximada de três horas, com início por volta das 10h, e contou com a atuação de uma equipe multidisciplinar formada por cirurgiões, perfusionistas, enfermeiros e técnicos de enfermagem, além do apoio da equipe do Hospital Getúlio Vargas (HGV).
A coordenadora da Central de Transplantes do Piauí, Lourdes Veras, destacou o impacto da decisão das famílias no aumento das doações no estado.
“Toda a nossa gratidão por esse ato de solidariedade. Sem doação, não existe transplante. Nosso agradecimento especial, porque o número de doações tem aumentado à medida que mais famílias dizem ‘sim’ à doação de órgãos”, ressaltou.
Lourdes Veras também enfatizou que a ampliação da rede de captação no interior do estado tem sido fundamental para o crescimento no número de transplantes.
“Conseguimos descentralizar o serviço, formando o polo de Parnaíba, no Hospital Dirceu Arcoverde, que hoje é um grande centro de captação de órgãos. Esse mesmo núcleo queremos implantar também nas cidades de Picos e Floriano, a partir de 2026”, destacou.
Já a coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), Nadja Freitas, reforçou a importância do diálogo familiar sobre o tema.
“A doação de órgãos é um gesto de amor que precisa ser conversado com a família. A única forma de se tornar doador é com o ‘sim’ dos familiares. O transplante pode representar a única esperança de vida ou uma nova oportunidade de recomeço para quem precisa”, afirmou.
Para quem deseja ser doador de órgãos, a principal orientação é manifestar a vontade ainda em vida e conversar com os familiares, responsáveis legais pela autorização. Também é possível formalizar a decisão por meio da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), disponível online. No sistema, o interessado pode solicitar um certificado digital, preencher o formulário, indicar quais órgãos deseja doar e escolher o cartório responsável pela emissão da autorização eletrônica.
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