
A voz ainda está destruída, rouca, depois do épico tricampeonato da Argentina na Copa do Mundo, a vitória nos pênaltis sobre a França após empate no tempo normal mais prorrogação, por 3 a 3, no Mundial do Catar. Há pouco mais de um ano no Piauí, o argentino Marcelo Viard assistiu à final que consagrou a seleção de Messi — para o torcedor, maior que Maradona.
— Dia muito especial para todos, importante. Foi muito emocionante, forte. Ainda estou com dor nas costas da tensão do jogo, mas foi uma final. Foi um bom espetáculo para o mundo todo. Na hora que acabou o jogo, peguei o celular, assisti sem o celular perto, em silêncio, depois conversei com minha família, amigos, e a festa na Argentina emociona, felicidade. Vamos curtir o momento — descreveu o argentino.
Marcelo Viard mora há um ano e um mês na cidade de Pedro II. Técnico em eletroencefalograma, o torcedor mudou o jeito de assistir aos jogos da seleção albiceleste na Copa do Mundo do Catar depois da derrota na primeira rodada da fase de grupos, para a Arábia Saudita.
— Não usava a camisa da seleção. No dia do jogo contra a Arábia Saudita, e a Argentina perdeu (por 2 a 1), apesar de ter a certeza que foi só um jogo, preferi não usar. No jogo seguinte, contra o México, tinha uma roupa, uma blusa normal e um short. A partir desse dia, eu continuei usando a mesma roupa, tirava, lavava e deixava para o próximo jogo. E deu certo, graças a Deus — narrou.
Deu certo até a final, apesar do drama da prorrogação e pênaltis.
— No segundo gol, quando eles empatam, fiquei pensando muitas coisas. Sabia que não ia ser fácil nem para eles, nem para gente, mas sabia que os jogadores da Argentina não iriam deixar passar, eles entregaram tudo dentro do campo. A confiança nunca foi embora, nem quando a gente perdeu o primeiro jogo. Sempre mantive meu pensamento, uma grande seleção – contou.
Aos 41 anos, Marcelo Viard se emocionou ao ver Messi levantar a taça da Copa.
— Foi muito emocionante para mim, ele é o melhor jogador do mundo, as coisas que ele faz, nenhum outro faz. Habilidade, talento, definição. Para toda Argentina, foi um desabafo que a gente tinha na garganta, e deu certo. A gente merecia mesmo – disse, também opinando sobre a dúvida: quem é melhor, Maradona ou Messi?
— A metade está dividida. Acho que são duas épocas distintas, mas acho que Messi é o jogador mais ‘maradoniano’ que tem na Argentina. Maradona fez muito no futebol. Acho que Messi é maior que ele, mesmo sem ter ganhado o Mundial. As coisas que o Messi fez no futebol, não se explica. O coração fica divido. Maradona fez muito pelo meu país. Tem uma Copa em 86, a Itália, em 1990, a Argentina merecia ganhar, mas teve um pênalti inventado pelo árbitro. Como eu vivi mais o Messi, acho que ele superou Maradona.
Fonte: Globo Esporte
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