
Oficialmente o município piauiense de Pedro II foi criado a 11 de agosto de 1854. Nesse 11 de agosto de 2026, pois, completa 172 anos de emancipação política, dois anos a menos apenas do que a capital do estado, Teresina. E esta conta fecha. Está perfeita. Podemos até comemorá-la. Mas também podemos ir bem para trás no tempo. Para muito, muito antes de 172 anos.
A terra da opala, como é conhecido o município, tem sido tema de boa parte do que escrevo (poetizo, fotografo, musico e pinto) há pelo menos cinco décadas. A vontade de conhecer cada vez mais a terra da rede (outra de suas denominações) por dentro, levou-me a escrever e publicar, dentre outros, por exemplo, os livros “Lendas de Pedro II” (em quarta edição), “Debaixo da Figueira do Meu Avô” e (2019) e “Morro do Gritador: vento, brisa & terremoto” (2026).
O assunto de que tratei em meu mestrado, por exemplo, foi a opala de Pedro II. Mais precisamente o pequeno garimpeiro de gema de opala de Pedro II (o ‘bamburrista’, termo que inventei a pedido de minha orientadora).
Mas em 2025 não contente com o que já escrevera sobre o município, concluí ainda no primeiro semestre daquele ano, a escrita do livro “História, Geografia e Literatura do Município de Pedro II, Piauí” (278 páginas, quase 100 fotografias, mapas e gráficos). Este livro já se encontra no formato PDF e espera por publicação (e patrocínio).
Só que ao invés de começar a narrar a História do município a partir de 1854, eu retomo há quinze mil, vinte mil anos. E por que faço isso? Porque nas pesquisas para o livro me deparei com um artigo científico no qual os/as autores/autoras desenvolvem um estudo sobre o Sítio Arqueológico da Lapa. Usando o método do carbono 14 o grupo chega à datação referida acima.
Mas qual a diferença entre tomar a data de 1854 ou a de 20 mil anos atrás? Retroceder no tempo há 15 mil, 20 mil anos, evidencia de forma definitiva a presença de povos originários, ameríndios portanto, na formação do que viria a ser o povo Pedro-segundense, e joga luz também na presença histórica do povo negro (escravizado e liberto) na cultura Pedro-segundense.
É como venho dizendo há tempo: a presença dos Irmãos Pereira, se necessária, não é suficiente para explicar toda a malha de complexidade da realidade social do município de Pedro II.
Num espaço tão exíguo como o de uma coluna, não podemos tratar assuntos complexos como do que tratamos aqui de forma aprofundada (por isso escrevi um livro inteirinho sobre).
De qualquer forma, não posamos como donos da verdade. Longe de nós essa ideia. Queremos, sim, contribuir ainda que minimamente, para com a compreensão cada vez mais realista da História do município de Pedro II. Não se trata de desconsiderar a importância histórica dos fundadores do município. Trata-se de ampliar esse olhar para muito além de meros 172 anos.(Continua...).
ERNÂNI GETIRANA (@ernanigetirana) é professor, poeta e escritor. É o atual presidente da Academia Pedro-segundense de Letras e Artes. Escreve aos sábados para este portal.
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