
Os irmãos Pereira não teriam feito nada em Pedro II sem a participação de negros e índios e/ou miscigenados. Sem os afrodescendentes que trouxeram sua bagagem e sem os índios a guiar-lhes caatinga à dentro, eles jamais, provavelmente, teriam esbarrado aqui.
Só para sermos mais precisos, a afrodescendência sempre esteve/está muito presente nas manifestações de Umbanda e Candomblé, assim como a presença indígena esteve/está em práticas de rezas, beberagens, no uso da rede (Pedro II já foi a Terra da Rede!), costumes e crenças.
Uma das denominações de Pedro II, ITAMARATY, é de origem tupi: ITA (pedra), MARATI (cor de rosa). Provavelmente uma alusão à tonalidade do nosso céu à tardinha ou mesmo à gema de opala, quem sabe. (...)
É nesse bojo que devemos ver a criação do Centro Espírita de Umbanda Pedro de Alcântara (CEUPA) em 10 de setembro de 1968 como um marco da luta por identidade que grupos socialmente incluídos na sociedade Pedro-segundense.
Inúmero foram as pessoas que contribuíram para a criação do CEUPA, dentre elas: Epifânio Getirana, Francisco Formiga, Sebastiana Nascimento, Walter, Valdemar Freitas, Barnabé, Deusdedete Horácio, Barnabé, Ana Nascimento, Gonçalo Charuto, Beta, Francisco Mucura, Gaspar, Pelé, Josefina Nascimento, dentre tantos outros e outras sobre quem estamos pesquisando para escrevermos um livro que finalmente conte a saga dessa gente toda na criação do CEUPA.
Por ora ficam aqui nossos parabéns a CEUPA nesse 10 de setembro de 2026, quando faz 58 anos de fundação.
(foto: Matheus Rafael)
ERNÂNI GETIRANA, é professor, poeta escritor e artista gráfico. É autor de vários livros, dentre eles “Morro do Gritador, filho da Ibiapaba: brisa, cruviana & terremotos” (2026). Escreve aos sábados para o Portal P2
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