
A palavra educação vem do latim educare. Nesse idioma ela é um verbo que traz o sentido de criar (uma criança), nutrir, fazer crescer.
Do ponto de vista etimológico educação significa ‘trazer à luz a ideia’ ou ‘fazer a criança passar da potência ao ato, da virtualidade à realidade’. Como pensava Aristóteles (384 a.C – 322 a.C).
O conceito de educação, porém, antecede em muito ao seu aspecto escolar. A educação, pois, está para além da instrução. Antes de assim ser concebida, a educação já se prestava ao uso em outras esferas, como a religiosa, cuja função principal era a manutenção do poder aristocrático dominante.
Nesse sentido, aos olhos de hoje, a educação era suporte de discriminação ao fomentar a manutenção de uma minoria intelectual.
Ora, educar não pode se limitar a repassar informações, mostrar apenas um caminho (a isso chamamos de instrução), mas se trata de ajudar a pessoa a tomar consciência de si mesma, dos outros e da sociedade.
E aqui estamos diante do que o professor Paulo Freire (1921-1997) chamou de ‘educação libertadora’.
Do ponto de vista sociológico a educação é um ferramental que surge com o Homo sapiens sapiens a partir de seu contato com o mundo físico e com os demais seres iguais a ele, com os quais é obrigado a conviver por uma questão de sobrevivência. Esse jogo já dura cerca de 200 mil anos.
E aqui temos um aspecto importante da educação: ela é um processo ao mesmo tempo herdado e repassado adiante, de geração a geração. A educação é um processo cultural.
Com a complexificação das sociedades humanas, surgiu nos mosteiros medievais (de 476 a 1453), uma agência social para cuidar da transmissão da educação dentro dos grupos sociais. Essa é a origem da escola, pelo menos no ocidente.
No Brasil, as instituições escolares surgiram a partir de 1549 com três objetivos imediatos: formar sacerdotes, catequizar indígenas e instruir a elite.
A massa do povo teria que esperar a chegada da década de 1970 para começar a ter direito à educação formal, uma iniciativa da política educacional da UNESCO (*).
É que o mundo estava se industrializado muito rapidamente e trabalhador analfabeto era um dificultador, ‘uma pedra no caminho’, diria o poeta Drummond de Andrade (1902-19870, do progresso capitalista.
A criança, ser em formação, necessita de estímulos orientados no sentido de desenvolver suas potencialidades nas múltiplas inteligências que a formam (Gardner-1943 - -----). A educação integral, deve, pois, exercitar essas inteligências tendo em vista sua formação cidadã.
A questão toda é: que valores queremos evidenciar e repassar a nossos filhos e filhas, a nossos/nossas adolescentes, e jovens?
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(*) A Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura (UNESCO) é a agência especializada do Sistema ONU que tem como missão contribuir para a consolidação da paz, a erradicação da pobreza, o desenvolvimento sustentável e o diálogo intercultural por meio da educação, da ciência, da cultura, da comunicação e da informação (WP).
ERNÂNI GETIRANA (@ernanigetirana) é professor aposentado do estado (ainda leciona na rede municipal de educação), poeta e escritor. Presidente da APLA – Academia Pedro0segundense de Letras e Artes, membro da UBE-PI, ALVAL e do IHGPI. Formado em Letras pela UFPI, onde também Fe mestrado. Membro fundador do Coletivo P2. Pertence aos coletivos ‘Amigos da Literatura’ e Coletivo Literário de São Benedito, CE. É autor, dentre outros livros de “Debaixo da Figueira do Meu Avô” (Livraria Entrelivros, Teresina). Atualmente prepara três novos livros, dente estes “História, Geografia e Literatura de Pedro II, Piauí”. Escreve às quintas-feiras para o Portal P2 aos sábados.
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