
Ao lado da cozinha ficava o terraço. Era um quadrado quase perfeito, uma pequena praça interna de uns 6 X 6 metros. Havia uma palmeira, uma bela latada de maracujá, roseiras, um pé de cidreira, outro de capim santo. E um lindo pé de papoula.
Um banco de madeira lisinho quase no centro da pracinha, confortável de tal modo que quase sempre havia alguém sentado nele. Ou deitado. Ou escorado nele.
Se não fosse gente, era bicho. Gato, cachorro sempre ali no banco. Até borboleta pousava no banco e olhe que havia cada rosa linda. Talvez fosse por isso que Tia Doca gostava quando alguém o chamava de terraço de ‘Jardim do Éden’. Muitas vezes ela mesma, Tia Doca, mandava as meninas porem a rede de tucum para tirar uma merecida soneca.
- Tia Doca está tirando uma soneca na rede de tucum no jardim do Éden. Maria Pequena aludia a Deus e ao mundo.
Eita, aí todo mundo precisava andar nas pontas dos pés. E se alguém chegasse agora, antes de uma pessoa começar a bater palma lá na porta da rua, um Manelito emburrado, escorado no pé da parede na entrada da casa ia logo dizendo.
- Tia Doca tá cochilando no Jardim do Éden. Se quiser deixar recado, pode. Eu dou pra ela quando ela acordar. E voltava para dentro da sua mudez.
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*Ilustração: Ernâni Getirana.
ERNÂNI GETIRANA (@ernanigetirana) é professor, poeta e escritor. É autor de vários livros, dentre eles “Lendas de Pedro II, PI”. Escreve para este portal sempre aos sábados. Siga-o em suas redes sociais.
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