Quarta, 29 de Maio de 2024
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Cultura Coluna do Ernâni

A literatura Pedro-segundense (Parte II-Uma introdução ao tema)

ERNÂNI GETIRANA (@ernanigetirana) é professor, poeta e escritor. É autor de inúmeros livros, dentre eles “Debaixo da Figueira do Meu Avô”. É membro da APLA, ALVAL, UBE-PI e do IHGPI.

11/05/2024 às 10h55
Por: Gustavo Mesquita
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A literatura Pedro-segundense (Parte II-Uma introdução ao tema)

 

(Prof. Ernâni Getirana)

Fundado em 1854, o município piauiense de Pedro II, localizado a cerca de 195 km da atual capital do Estado, Teresina, ao longo das décadas vem nos brindando, para nossa sorte, com sucessivas gerações de artistas nos mais variados ramos da arte, incluindo-se aqui a literatura.

Evidentemente que as primeiras manifestações de literatura por aqui foram sob a forma oral. Em uma época em que o índice de analfabetismo era soberbo e isso por conta da Metrópole Portugal. Assim, a oralidade era exercida a todo gosto.

Dentre os que faziam uso da oralidade para falar do mundo (natural e social) e seus fenômenos, das pessoas e suas vidas, podemos ressaltar os povos originários (indígenas) que por aqui habitavam, em, muito provavelmente, uma marcha sazonal [1] por dentro do ‘Corredor Ecológico da Serra Grande’.

Dessa forma, provavelmente por séculos, tivemos movimentos sazonais de povos indígenas entre vindas e idas desde o litoral até a Serra Grande (passando pelo município do que viria a ser no futuro Pedro II).

A nossa APA (Área de Proteção Ambiental), denominada “Serra da Ibiapaba”, que compreende do lado do Piauí: Buriti dos Lopes, Bom Princípio, Cocal, Piracuruca, Piripiri, Pedro II, Lagoa de São Francisco, Conceição e Domingos Mourão; e do lado do Ceará: Granja, Chaval, Moraújo, Tianguá e Viçosa, foi, pois, a via física por onde se constituíram provavelmente a maioria de nossas narrativas lendárias. Dentre elas, pelo lado do Piauí, a mais famosa: a Sereia do Pirapora.

Esse corredor natural era usado pelos povos primordiais e eram eles que narraram as primeiras histórias que ocorreram por estas bandas.

As inscrições do Parque Rupestre da Lapa nos dizem isso. Então podemos imaginar baseados em evidências pictóricas que os povos originários foram nossos primeiros contadores de história.

A essas narrativas se juntaram muitas outras advindas de negros escravizados. De novo, isso pode ser verificado, bastando para isso pesquisar nos cartórios locais documentos de compra e venda de ‘escravos’. O professor Afonso Getirana tem sido um dos pesquisadores que mais tem se detido nesse item de nossa História.

Senhoras idosas e escravizadas contavam histórias para crianças brancas e ali reconstruíram todo um mundo meio idealizado, meio saudosista centrado em África, esta também idealizada. Isso perdurou mesmo depois da abolição da escravatura.

Outro povo originário que por aqui andou foi o povo cigano. Nômades, os ciganos andavam por Pedro II desde pelo menos os anos 1900, segunda metade. A área geográfica que eles costumavam ocupar nessas andanças era a antiga ‘região das barras’ (onde hoje se encontra o Açude Joana).

Somando-se a esses povos originários: indígenas, escravizados e ciganos, ali por volta da segunda metade do século XVIII, com a fixação de elementos brancos no que viriam a ser pequenas fazendas, os agregados foram-se achegando: os vaqueiros, as lavadeiras, as cozinheiras, os meninos de recado, os capangas, os botadores de água, os cuidadores de animais, as moças de vida fácil, as curandeiras e rezadeiras, as benzedeiras, os mascates, os pequenos comerciantes, as redeiras. Muitas cantigas de trabalho nasceram nessa época, assim como causos e estórias lendárias. 


[1] É um conceito que estou explorando para explicar o povoamento do que hoje é o município de Pedro II. Sobre esse ponto tenho escrito em outro lugar.

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Cultura com Profº Ernâni Getirana
Cultura com Profº Ernâni Getirana
Sobre Ernâni Getirana, professor, lecionou na UESPI e Faculdade Santo Agostinho, aposentado na Rede Estadual de Educação, Ecoescola Thomas a Kemps. Ainda na ativa na Rede Municipal de Educação de Pedro II. Formado em Letras pela UFPI, graduado em Meio Ambiente pela UnB, graduado em Educação pela UFRJ, mestre em Políticas Públicas pela UFPI. Membro das academias: Vale do Longá e Pedrossegundense de Letras e Artes. É poeta e escritor, autor de vários livros, dentre eles “Lendas da Cidade de Pedro II”.
Atualizado às 21h00 - Fonte: ClimaTempo
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